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A China costuma ser tratada como assunto distante do cotidiano regional,  mas no interior paulista, essa distância começou a diminuir de forma gradual. O país passou a aparecer em decisões locais de formação e pesquisa aplicada, aproximando cidades médias de uma agenda internacional antes concentrada em grandes centros econômicos e acadêmicos. Além disso, devido à crescente oferta de séries, filmes e jogos do país asiático, grande parte das pessoas já são familiares e fazem parte de uma relação que já aparece fora das capitais.

Cultura chinesa ganha espaço no cotidiano

Antes de chegar às salas de aula e aos ambientes de pesquisa, muitos brasileiros já encontram referências chinesas em hábitos de consumo cultural. Séries de época exibidas em plataformas de streaming, como “The Double”, lançada em 2024 na Netflix, apresentam ao público elementos de vestuário, arquitetura e relações sociais associados à história e à cultura do país. A produção se passa na corte imperial chinesa e acompanha personagens em tramas de poder com figurinos elaborados e cenários que reconstroem padrões estéticos da dinastia Tang.

Nos jogos digitais, esse repertório aparece de forma igualmente reconhecível. O Fortune Rabbit trabalha com símbolos ligados ao calendário lunar chinês e usa a figura do coelho dentro de uma ambientação marcada por referências ao Ano Novo Lunar: lanternas vermelhas, envelopes dourados, fogos de artifício e padrões decorativos típicos das festividades de primavera.

Essas referências, distribuídas por plataformas de alcance global, tornaram símbolos e tradições chinesas reconhecíveis para um público que nunca estudou o idioma. Isso abriu espaço para iniciativas mais concretas no interior paulista, desde graduações voltadas ao idioma até agendas de inovação com parceiros chineses.

Ensino superior e inovação ampliam o diálogo com a China

A Unesp, por exemplo, lançou em 2026 uma graduação inédita no Brasil em Língua e Cultura Chinesas. O curso será oferecido no campus de Assis e coloca o mandarim em uma formação universitária voltada a estudantes interessados em relações internacionais, tradução e contato direto com a cultura chinesa. A proposta ainda prevê a possibilidade de cursar parte da trajetória na Universidade de Hubei, em Wuhan, o que aproxima a formação regional de uma vivência acadêmica na China.

Botucatu também passou a integrar esse movimento por meio do Parque Tecnológico. Em março de 2026, Rui Seabra Ferreira Junior integrou uma comitiva brasileira à China com agenda voltada à biotecnologia e à inovação. A participação incluiu contato com ambientes ligados à pesquisa aplicada e abriu espaço para possíveis parcerias Brasil-China. Para Botucatu, o ponto relevante está na presença institucional do Parque Tecnológico em uma agenda internacional conectada a projetos científicos e produtivos.

China deve passar a ocupar mais espaço na região

A tendência é que a presença chinesa se torne mais visível no cotidiano regional de diferentes formas. No consumo, isso pode aparecer em produtos tecnológicos, itens importados, além de séries, filmes e jogos que estão cada vez mais populares no Brasil.

À medida que instituições locais criam canais diretos com universidades, centros de pesquisa e empresas chinesas, a relação pode ganhar efeito econômico mais concreto, com abertura para novos fornecedores, atração de investimentos, transferência de tecnologia e oportunidades comerciais para setores como indústria, agronegócio, saúde e biotecnologia. 

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